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1964 - Aconteceu em abril 2° Ed.

  • Autor/ Organizador: Mailde Pinto Galvão
  • ISBN: 85-7273-193-8
  • Ano de publicação: 2004
  • Linha editorial
  • Coleção/ Série
  • Tipo de publicação: Impresso
  • Formato/suporte: Papel
  • Número de páginas: 240
  • Palavras-chaves: Mailde Pinto Galvão, Rio Grande do Norte, Prisioneiros políticos, Brasil, História, Revolução constitucionalista, 1932.
  • Sinopse: Por todo o país, convivendo bem ou mal com os seus traumas, há centenas de vítimas do golpe de 64 com muita coisa para contar daqueles tempos de escuridão e terror. O ideal seria que todos pusessem no papal a experiência vivida e se formasse uma imensa bibliografia, para que não prescreva jamais o nosso direito de indignação.
    Em Natal, começaram a surgir os primeiros livros sobre a repressão de 64. Moacyr de Góes, no seu "Sem Paisagem", registra a provocação por que passou sob a paranóia verde-oliva.
    Agora, Mailde Pinto Galvão traz a publico sua via-crúcis pelos quartéis e interrogatórios.
    Escrever memórias da prisão é escalavrar cicatrizes, meter o dedo na ferida, reviver traumas. A lembrança de um interrogatório nos vem tão forte que podemos sentir o hálito do torturador. Logo, o mérito maior de quem põe em livro essas recordações é não deixar que o passional tome conta da narrativa; é não criar versões para os fatos; é não permitir que o ego se sobreponha aos seus medos.
    Este 1964 - Aconteceu em Abril é um exemplo de narrativa equilibrada.
    Mailde, com a sensatez e a dignidade que os amigos tanto admiravam nela, escreveu um depoimento que enriquece a bibliografia sobre o assunto. o livro pode ser dividido em duas partes. A primeira é um levantamento do que ocorreu em Natal, no inicio de abril de 1964, com pesquisas nos jornais da época que mostram apoios oficiais ao golpe, o clima de terror que se instala, as primeiras prisões.
    As memórias que ocupam a segunda metade do livro são um mergulho na zona sombria em que se encontram as lembranças mais dolorosas da autora. Mailde não se recusa a trazer à luz o sofrimento e a angustia dela mesma e de seus companheiros de cela. Os detalhes não foram esquecidos. Os torturadores estão lá, com suas tramas e seus nomes próprios. A tragédia de Djalma Maranhão é relatada num tom que clama por um biografia urgente daquele que morreu de amor por Natal, desesperado no exílio.
    Nenhum sofrimento foi posto à margem. Mailde não esqueceu de nada. O seu livro pede tacitamente para ninguém esquecer os violentadores da nossa liberdade.
    Rio de Janeiro, abril de 1993.
    Nei Leandro de Castro
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